Na natureza não existe lixo, isso é invenção da espécie humana. Decidimos começar com essa reflexão, para trazer a tona um tema que propõe essencialmente a mudança de pensamento sobre a nossa natureza: Estamos falando da Cultura Regenerativa.
O mundo está vivendo uma realidade que deixa cada vez mais claro a urgência de praticar um desenvolvimento, de fato, sustentável.
Muito se fala que a preocupação real que deveríamos ter como sociedade, não é a de que precisamos salvar o natureza, mas sim a humanidade. As condições que a vida humana vem criando no planeta até hoje está nos levando diretamente a sua própria extinção. Já o Planeta Terra? Segundo os cientistas é muito provável que ele Irá se regenerar. Assim como já aconteceu outras 5 vezes onde todos o meios de vida na terra quase foram destruídos, mas a natureza resistiu e se adaptou.
Quando pensamos em Sustentabilidade, estamos falando sobre maneiras de criar um futuro viável e próspero para a humanidade. Viver e utilizar recursos hoje sem prejudicar as próximas gerações. Mas será que essa ideia de diminuir o impacto é mesmo suficiente? É justamente este ponto que a cultura regenerativa argumenta diante do cenário que temos hoje.
Sustentabilidade X Economia Regenerativa. Quem faz o quê, e por quê?
Para entender como a Sustentabilidade e a Cultura regenerativa se relacionam, primeiro vamos esclarecer de forma básica o que cada uma significa:
Sustentabilidade por si só seria o nosso acerto de contas com aquilo que consumimos dos recursos naturais, ou seja, a ideia é ficar no zero a zero com o nosso impacto.
A Cultura (ou designer) Regenerativo é uma evolução da sustentabilidade, mas é importante lembrar que uma etapa não substitui a outra. Este novo modelo incentiva processos que não só minimizam os impactos, mas também promovam a regeneração dos recursos naturais, assim como propõe a economia circular.
A diferença aqui está justamente na forma de pensar, como dissemos no início deste conteúdo, na cultura regenerativa, assim como na natureza, não existe lixo, pois em todo e qualquer processo não considera rejeitos e desperdícios, todos conectados no mesmo processo e terão uma nova função produtiva. Para a cultura regenerativa de fato funcionar é preciso que todo o nosso modelo econômico, estilo de vida e produção, estejam alinhados com este pensamento sistêmico.
É importante entender que não somos separados da natureza. Como humanos, nós somos parte disso e profundamente dependentes do Planeta e de ecossistemas saudáveis a nossa volta.
Aqui está um exemplo prático da Fundação Ellen MacArthur de como este processo funcionaria para o setor de alimentação. O vídeo está bem didático, vale assistir.
Como a cultura regenerativa funciona na prática pelas empresas e poder público?
Para Daniel Wahl, autor do livro “Design de Culturas Regenerativas” , a ideia é que essas lideranças devam seguir avançando os degraus de onde estiverem. Veja o exemplo que ele deu: Modelo “negócio pelo negócio” só cumprindo as obrigações legais;
- Modelo “negócio verde”, onde fazem um pouco além de suas obrigações;
- Modelo sustentável que significa não destruir mais o ecossistema;
- Modelo de designer reparativo, que busca de consertar o ecossistema, reparando sociedades e comunidades prejudicadas.
- E finalmente quando dermos o passo de colocar o ser humano de volta a natureza do qual faz parte, estaremos criando sistemas que irão regenerar totalmente suas fontes.
O caminho para a cultura regenerativa também inclui a mudança do pensamento competitivo para o colaborativo. Isso porque vantagem competitivas criam escassez para muitos e abundância para poucos. Já a vantagem colaborativa cria abundância para todo mundo. O autor Daniel cita que o processo de tradução de seu livro para o idioma Português foi fruto de um processo de design regenerativo, pois foi realizado pela Editora Bambual em apenas 9 semanas com o apoio de uma forte comunidade colaborativa.
Tudo isso pode soar frustrante saber nem mais as práticas sustentabilidade serão capaz de fechar a conta que a humanidade deixou para o planeta. Mas para fechar em sintonia com a fala de Daniel Wahl, isso não pode significar que não temos mais saída, mas sim, um longo caminho pela frente.
“A verdade é que chegamos a um ponto da história humana em que ao olharmos para a ciência que anuncia dados assustadores sobre mudanças climáticas e tantas outras crises econômicas e sociais, percebemos que é necessário fazer o impossível, pois o que está cientificamente previsto é inconcebível.” Daniel Wahl para Cult Cultura