Estouramos o budget! Em 29 de julho deste ano, será a data em que a humanidade estará em divida ambiental com o planeta.
Chamado de Earth Overshoot Day, o dia da sobrecarga da terra marca a data no ano em que a demanda da humanidade por recursos ecológicos se excede de uma forma que a Terra não poderá mais se regenerar naquele mesmo ano. Ou seja, a partir desta data já estaremos em dívida com o planeta.
Essa conta não fecha!
A data é organizada e calculada desde 1970 pela Global Footprint Network, uma organização internacional de pesquisa que fornece aos tomadores de decisão um menu de ferramentas para ajudar a economia humana a operar dentro dos limites ecológicos da Terra.
Para determinar a data do Earth Overshoot Day para cada ano, a Global Footprint Network calcula o número de dias desse ano em que a biocapacidade da Terra será suficiente para fornecer a pegada ecológica da humanidade. O restante do ano corresponde a sobrecarga global.
De acordo com os cálculos da Global Footprint Network, nossa demanda por recursos ecológicos renováveis e os serviços que eles fornecem é atualmente equivalente a mais do que 1,5 Terras. Os dados nos mostram que estamos no caminho de atingir uma demanda de recursos equivalente a dois planetas bem antes da metade do século.
A primeira vez que o mundo estourou o orçamento ambiental, o déficit foi de 3 dias, marcando a data de 29 de dezembro de 1970. Desde então, esta data vem acontecendo cada vez mais cedo, e este ano estamos deixando no vermelho o total de 131 dias. Em outras palavras, a humanidade está esgotando a natureza 1,6 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras.
E o Brasil nessa história?
Infelizmente não carregamos boas notícias. Nos últimos 50 anos, os recursos florestais diminuíram 9%, enquanto os recursos de terras cultiváveis foram multiplicados por 5,5, e as pastagens mais do que dobraram. Em consumo, de acordo com os últimos dados disponíveis (2012), Pegada Ecológica total do Brasil aumentou 249%.
Os ecossistemas brasileiros passaram a ter que apoiar mais pessoas com padrões médios de consumo e com maior expectativa de vida. Isso significou a queda de 59,9% da biocapacidade por pessoa. 2). A pegada ecológica brasileira é de 3,1 hectares globais por pessoa, em linha com Argentina, México e Uruguai e ligeiramente abaixo da China (3,4 ha).
Em 2020 o mundo parou, e os recursos naturais ganharam fôlego.
No último ano, 2020, o estudo mostrou que a COVID-19 causou a diminuição da pegada ecológica da humanidade, mostrando que a possibilidade de mudar padrões de consumo em um curto espaço de tempo é real.
A diferença de mais de três semanas comparada a 2019, reflete a redução de 9,3% da Pegada Ecológica da humanidade desde 1 de Janeiro até ao Dia da Sobrecarga da Terra, em comparação com o mesmo período do ano passado. Esta foi uma consequência direta do isolamento provocado pelo coronavírus em todo o mundo.
Já em 2021…
A data é quase a mesma de 2019, depois de ter sido momentaneamente mais tarde no calendário em 2020, devido às medidas de confinamento e à redução de atividades económicas ensejadas pela Pandemia COVID-19. Os fatores críticos deste pior resultado são o aumento da pegada de carbono de 6,6% em comparação com o ano passado, bem como a redução de 0,5% na biocapacidade florestal global devido, em grande medida, a um aumento do desmatamento na Amazônia – só no Brasil, 1,1 milhão de hectares foram perdidos em 2020 e estimativas para 2021 indicam um aumento de até 43% no desmatamento com relação ao ano anterior.
O que os números de 2020 X 2021 deixaram claro para o estudo:
O modelo empresarial tradicional deve ser deixado para trás
No ano passado, quando a pandemia atingiu o mundo, os governos demonstraram que podem agir rapidamente, tanto em termos de regulamentação, quanto de despesas, quando colocam as vidas humanas acima de tudo. A tempestade perfeita que se está a delinear, com a convergência dos impactos das alterações climáticas e da segurança dos recursos biológicos, requer o mesmo nível – ou ainda mais elevado – de alerta e de ação rápida dos decisores.
“Em novembro, enquanto um mundo cansado volta as suas atenções para a Escócia e a COP26, juntos podemos escolher a prosperidade de um-planeta em vez da miséria de um-planeta. Podemos e devemos tirar proveito da pandemia, da notável capacidade global de planear, proteger e avançar a um ritmo necessário. A inovação escocesa ajudou a liderar a Revolução Industrial; em 2021, a Cimeira de Glasgow e o futuro que escolhermos enquanto comunidade, cidade, empresa ou país, oferece esperança real para uma nova revolução impacto-zero” disse Terry A´Hearn, CEO da SEPA.
Quais outras conclusões você enxerga neste cenário?Deixe o seu comentário!
Para mais informações sobre como o cálculo de 2021 foi realizado, acesse AQUI
